ARTE POPULAR NO BRASIL - PARTE II

No blog anterior fizemos uma reflexão sobre a importância da arte popular. E hj continuaremos a debater tais questões, principalmente pelo fato de que devemos reconhecer nossos valores, a nossa identidade…

 

Não estou falando dessa identidade, mas sim, da identidade de nosso povo, com nossas manifestações culturais e artísticas.

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É o dançar de um frevo alucinante, jogar uma boa roda de capoeira, comer um apetitoso acarajé… Hummmmmmm!!! Chega deu água na boca, né? Mas deixe de gulodice e perceba a grande variedade de elementos, que envolvem desde a dança até a nossa culinária, o modo de nos vestirmos e falarmos. É realmente uma riqueza de valores!

Falando em língua, temos uma mistura interessante de palavras de origem europeia, mas com muitos recursos retuirados de nossos indígenas e africanos. Por exemplo, tenho certeza que você alguma vez caiu numa biboca! Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiii!!!! Taradoooooooooooooooooooooooooooooo!!!! Calma, calma… Biboca é uma palavra de origem indígena que significa buraco, fenda… Se desespera e não me deixa explicar… Peteca, caruaru, capivar, beiju, entre outros. No âmbito da influência africana temos maxixe, moleque, birita, bunda… Isso mesmo! B u n d a! B + u + n = bun; d + a = da; totalizando bunda! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk… Que vocabulário maravilhoso!

Seguindo em frente, temos algumas manifestações que envolvem a dança, o teatro e que trazem uma mistura de valores culturais dos povos formadores de nossa identidade, como os indígenas, africanos e europeus. Estamos falando das danças folclóricas, os folguedos. Elas acontecem no brasil inteiro assumindo diversas possibilidades e narrativas.

Um exemplo seria o reisado, que é uma festa popular introduzida no brasil pelos portugueses no período colonial e ainda hoje realizada em muitas cidades brasileiras. O nome é dado aos festejos realizados por grupos que cantam sobre o natal e o dia dos reis magos, ou dia de reis (6 de janeiro), muitas vezes acrescentando às cantorias cenas baseadas em um enredo sobre o nascimento de Jesus e homenagens aos três reis magos. Em geral, as festas são realizadas na rua, como procissões. Uma das principais características do reisado são os trajes usados pelos participantes, em geral roupas muito coloridas, chapéus, fitas e espelhinhos. Outra característica diz respeito à estrutura da festa. A maioria dos reisados festejados no brasil transcorre segundo o mesmo roteiro: abertura da porta, entrada, louvação do divino, chamadas do rei, peças de sala, danças, a guerra, as sortes, a despedida. Alguns personagens são marcantes como o boi, que morre durante a encenação e depois ressuscita, trazendo a memória do ocorrido com Jesus Cristo.

 

Outra manifestação bastante curiosa seria o “parafuso”, que ocorre na cidade de lagarto, em Sergipe. Remete ao período colonial, no cenário dos engenhos, onde escravos sonhavam com a liberdade nos quilombos, para escapar do sofrimento. Procurando chegar ao quilombo, escravos em fuga, usavam as anáguas das sinhás, roubadas dos quaradouros. Para camuflar o corpo, colocavam várias anáguas, umas sobre as outras desde o pescoço, pintando o rosto com tabatinga, compondo o disfarce final com um chapéu em formato de cone, igualmente branco. Assim, nas noites de lua se arriscavam pelos canaviais despertando o imaginário popular que consideravam estar vendo visagens ou almas do outro mundo. A fama das aparições era tão grande quanto o medo que provocavam e ninguém se arriscava a passar nos canaviais com temor das assombrações. Quando findou a escravatura, a mística fantasmagórica acabou, mas permaneceu a tradição com um grupo de negros saindo às ruas, rodopiando na cadência de tambores e triângulos que marcavam o ritmo alucinado. As anáguas brancas que formavam um contraste com sua pele negra, chamaram a atenção do vigário de lagarto, o padre José Saraiva Salomão, que comparou o movimento dos brincantes ao de um parafuso, observando o rodopiar no sentido anti-horário, parecendo, assim, torcer e distorcer. O que mais chama a atenção é a sua coreografia, que se baseia em volteios sobre si mesmo, provocando a abertura das anáguas e apresentando um visual de grande beleza estética. As evoluções das duas filas de dançantes imitam a fuga dos escravos pelos canaviais a caminho dos quilombos, despistando os capitães do mato. O que foi um movimento de resistência à escravatura se tornou um folguedo de grande beleza, característico do município de Lagarto.

Você percebeu a riqueza dessa manifestação folclórica? Para quem não tem conhecimento sobre tal acaba por achar que é um bando de boboca, fantasiado, sem ter muito o que fazer… Mas olhando a história e o contexto, imagine a felicidade de um negro/ preto ao vestir tais trajes e rodopiar para um lado e para o outro, como um parafuso, comemorando a sua liberdade. Viu? Precisamos conhecer mais a cultura popular a grande riqueza por traz dela!

Acho que também seria importante falar um pouco sobre a literatura de cordel, que é uma manifestação literária do interior do nordeste brasileiro. É um gênero literário feito em versos com métrica e rima e caracterizado pela oralidade e por uma linguagem informal. Também chamada de literatura popular em verso, essa tradição se popularizou no final do século XIX, quando tais poesias passaram a ser impressas em folhetos e vendidas em feiras.

O nome “cordel” faz referência às cordas onde os folhetos ficavam expostos. Seu formato foi inspirado nos cordéis lusitanos, trazidos ao brasil pelos colonizadores portugueses.

 

Sua capa é feita em xilogravura, que é uma técnica de impressão muito antiga que consiste numa gravura na qual se utiliza uma madeira como matriz, possibilitando a reprodução da imagem gravada sobre papel ou outro suporte adequado. Esse processo é muito parecido com o carimbo.

Apresenta ilustrações que remetem ao conteúdo dos poemas, que geralmente retratavam a realidade do sertão nordestino e contavam histórias sobre os costumes locais, com forte utilização de humor e ironia. Além disso, serviam como fonte de informação para os moradores da região.

Sei que já falei muito na tal da “riqueza cultural”, mas não tem outro termo para exaltar as nossas manifestações populares! O cordel, por exemplo, envolve tantas histórias e técnicas, que fazem com que a memória e o imaginário popular sejam eternizados. Mesmo num tempo em que a tecnologia prevalece, a resistência desse tipo de literatura e de impressão extrapola os limites do existir. Sou suspeito e altamente apaixonado por tudo isso!

A arte popular é a arte da intuição, aquela em que o artista exerce seu ofício sem ter frequentado escolas de artes para esse fim. Apesar disso, suas obras são de altíssimo reconhecimento estético e artístico.

Os artistas se inspiram em sua regionalidade, crenças, lendas e costumes típicos de sua cultura. Seu humilde cotidiano e as dificuldades do dia-a-dia são refletidas na obra.

Essa é a grande reflexão sobre a importância da arte popular! Conhecer a história do nosso povo e de suas origens não tem preço! Deve ser uma constante em nossas vidas, para que dessa forma a nossa memória seja eterna!

E aí? Gostou? Deixe seu like! Curta! Compartilhe! E principalmente, prestigie as manifestações da cultura popular de sua região! Fará toda a diferença!

Um chêro!

Até mais!

Autor

Felipe godoy

Professor/ artista/ apaixonado pela arte popular

 

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