BRASIL COLÔNIA: CRISE DO SISTEMA COLONIAL

Olá, vestibulande! Preparade para mais um blog de História recheado de muitas curiosidades? Sim?! Então fique com a gente para aprender um pouco mais sobre Brasil Colônia, mais especificamente sobre a crise do sistema colonial.

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“OUI, NOUS AVONS LA RÉVOLUTION

 

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Pois é, bb, nós temos revolução. Na segunda metade do século XVIII, o Brasil foi palco das primeiras revoluções separatistas de sua História. Mas tenham um pouco de paciência, não vamos falar dessas revoltas agora.

Antes de tudo, precisamos compreender o contexto histórico do nosso mundo ocidental daqueles tempos. Primeiro, precisamos ter certeza de que período estamos falando.

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Você está ligade que tudo isso se passa entre 1750 e 1800, né? Pois é, saber se situar no tempo é fundamental para viajarmos com segurança nesse período marcado por tantas grandes transformações.

 

O Século das Luzes

O século XVIII foi marcado pelas ideias libertárias dos pensadores iluministas. Tais pensadores colocavam em xeque-mate os reis absolutistas, a sociedade estamental e a economia intervencionista do mercantilismo.

Liberdade, Igualdade e Fraternidade eram as palavras de ordem. Liberdade diante de um Estado absolutista que reprimia e censurava qualquer manifestação contrária aos seus interesses.

 

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O Estado mantinha pequenos grupos sociais, a exemplo da nobreza e do clero católico, gozando de vários privilégios, enquanto a maioria esmagadora da população, formada por burgueses, operários e camponeses, pagavam a conta através dos elevados tributos. Eram as heranças da ultrapassada Idade Média. No entanto, tudo isso era contraditório diante de um sistema capitalista que se solidificava a cada década.

Nas escolas e universidades burguesas, os debates acerca dessas contradições eram diários. Como se não bastasse, nas tavernas e botecos de cada esquina das grandes metrópoles europeias, as discussões varavam noites.

As ideias de Montesquieu, Rousseau e Voltaire eram os combustíveis que alimentavam as chamas da esperança por novos tempos. A crença em um futuro promissor era defendida pela classe burguesa, pregadora de uma economia livre da interferência do governo absoluto, de uma sociedade com igualdade de direitos livre das heranças feudais.

Essas ideias eram repetidas em livros, jornais e nas famosas Enciclopédias organizadas pelos mestres Diderot e D’Alambert. Os filhos das elites coloniais que estudavam na Europa acabavam voltando para casa trazendo tais ideologias e as disseminavam entre parentes e amigos insatisfeitos com a exploração metropolitana.

 

Indústrias à vista!

 

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Por volta de 1760, tem início a Revolução Industrial na Inglaterra. Sei que você pode se perguntar: “Mas qual a relação da Revolução Industrial com a Crise do Sistema Colonial?”  Bem, não muito difícil responder.

As transformações nas formas de produção, marcadas pela aceleração da produtividade exigia mercados consumidores livres das amarras do Pacto Colonial. Manter uma colônia como mercado exclusivo de uma metrópole era incompatível com a nova realidade.

Outra coisa muito importante que não pode deixar de ser mencionada é a necessidade de se extinguir o trabalho escravo. A infame escravidão limitava os mercados consumidores. Era preciso aumentar o número de trabalhadores assalariados para aumentar o consumo dos produtos manufaturados.

E agora, deu para entender de que forma a Revolução Industrial também contribuiu para a Crise do Sistema Colonial? Dessa forma, compreenderemos melhor o porquê de a Inglaterra ter apoiado os movimentos de separação das colônias ibéricas.

Isso é bem interessante se lembrarmos que essa mesma Inglaterra fez de tudo para evitar que suas treze colônias da América do Norte se separassem. Como diz a sabedoria popular: “pimenta nos olhos dos outros é refresco”

 

Às armas, cidadãos!

Em 1776, as treze colônias britânicas da América do Norte decidiram romper com a metrópole, iniciando uma guerra de independência que se arrastaria por cinco anos. Desde o final da Guerra dos Sete Anos, a Inglaterra vinha aumentando a exploração de suas colônias com leis abusivas, a exemplo das Leis do Açúcar e do Chá, o que deixara os colonos indignados.

Depois de algumas tentativas frustradas de negociações com o governo metropolitano, os colonos concluíram que a única saída era pegar em armas e lutar pela independência, o que ficou bem claro no brado do pensador Thomas Paine: “às armas, cidadãos, vamos às armas”!

A guerra da Independência dos Estados Unidos abriu um precedente. Dalí por diante, todas as outras colônias da América começariam a questionar a exploração colonial e passariam a conspirar contra a nação exploradora.

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Inconfidências e Conjurações pipocariam por todos os cantos dessa terra descoberta pelo Cristóvão Colombo. Pois é, amigles, o Sistema Colonial entra em crise. O processo se tornara irreversível, principalmente depois da Tomada da Bastilha em 1789.

 

A Grande Revolução Francesa

Em 14 de julho de 1789, ocorreu evento em Paris que mudaria toda a História do Mundo Ocidental: caiu por terra o maior absolutismo que já existiu. Liderados pela burguesia, os revolucionários franceses tomaram o presídio da Bastilha, considerado o maior símbolo do absolutismo francês.

 

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Veja só, o absolutismo era representado por uma prisão, o que demonstra o caráter repressivo daquele sistema que perdurou por mais de duzentos e cinquenta anos. Durante esse período, a nobreza e o clero ficaram isentos do pagamento de impostos, embora fossem os donos de quase todas as riquezas.

Do outro lado, burgueses, camponeses e operários pagavam exorbitantes impostos para sustentar os privilegiados. Essa revolução provou a tese de Rousseau, ao pregar que todo o poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido.

 

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Diante de tudo isso, dá para imaginar a repercussão da notícia sobre a queda da Bastilha? O Ocidente entrou em polvorosa! O rei Luís XVI, sua esposa Maria Antonieta, nobres e clérigos agora seriam considerados cidadãos iguais, dotados de direitos, como qualquer um camponês, operário ou burguês. Agora imagine, essas notícias chegando nas colônias, depois de ter atravessado o Atlântico, sendo transmitida oralmente e, claro, acrescida de detalhes típicos da imaginação popular.

 

O Pioneirismo Mineiro

Meses antes da Tomada da Bastilha, a população de Minas Gerais foi surpreendida pela prisão de vários cidadãos, acusados de conspirarem contra o governo. A surpresa existiu porque quase ninguém sabia que uma conspiração estava em andamento desde 1781.

Isso mesmo, my friend. Oito anos antes de serem denunciados e presos, os inconfidentes mineiros já vinham fazendo reuniões clandestinas, planejando uma revolução de caráter separatista e republicana.

Mineradores, padres, militares, funcionários públicos e intelectuais, quase todos maçons, estavam convictos de que era chagado o momento de romper com Portugal e adotar um governo nos moldes das ideias iluministas. Era necessário romper o pacto colonial, decretar liberdade industrial, bem como liberdade de expressão e de pensamento.

A gota d’água para a insatisfação com a exploração metropolitana foi a imposição da Derrama, medida que confiscava o ouro dos mineradores, mesmo que já tivessem pago “o quinto”. Tal medida foi idealizada pelo Marquês de Pombal, diante da visível queda na arrecadação tributária.

O governo queria assegurar um mínimo necessário para honrar seus compromissos. No entanto, esse mesmo governo não teve a sensibilidade de verificar a situação econômica da sociedade mineradora. A produção aurífera estava decadente e a carestia tornava a vida em Minas Gerias bastante cara.

Os inconfidentes planejavam tomar o poder, matar o governador, proclamar uma república, instalar uma universidade, abrir os portos ao comércio internacional, dar auxílio financeiro às famílias pobres e tornar o serviço militar obrigatório. Se você está pesando como os inconfidentes esqueceram de incluir a abolição da escravidão, a resposta é “não”.

Não esqueceram, tanto que ocorreram debates acerca de tal tema. Porém, como a maioria dos rebeldes era constituída por homens de posse, ricos proprietários de terras e de escravos, a abolição não foi incluída como parte do projeto revolucionário.

Você deve estar pensando também: “E o Tiradentes, ele não era o único pobre dessa história, por que ele não defendeu a libertação dos escravos? ”.  Bom, vamos esclarecer algumas coisas sobre o Tiradentes.

O Alferes Joaquim José da Silva Xavier não era tão pobre como alguns historiadores sugerem. O posto de Alferes (espécie de subtenente) lhe garantia um bom salário, sem contar que nas horas vagas ele exercia a função de dentista prático. Tiradentes era dono de alguns escravos, embora nunca tivesse a preocupação de comprar sua própria casa.

Aí você me vem com mais uma pergunta: “Então, como ele foi se meter com aqueles homens da alta sociedade mineira? ”. Bem, o Tiradentes várias vezes manifestou seu descontentamento contra as leis de Portugal.

Além disso, era um sujeito que podia entrar e sair da casa de qualquer pessoa sem levantar suspeitas, pois usaria o pretexto de ser dentista. Assumiu o papel de ser o propagador das ideias conspiratórias dentro e fora de Minas Gerais, visto que vez ou outra era enviado ao Rio de Janeiro transportando mensagens oficiais. Aliás, quando a conspiração foi denunciada, o Alferes se encontrava no Rio de Janeiro, onde foi preso e enforcado dois anos depois.

Uma delação premiada feita pelo Silvério dos Reis botou tudo a perder. Silvério havia participado de quase todas as reuniões, tendo contra si vários processos em andamento, o que poderia lhe custar a própria vida. Então, certo dia ele procurou o governador, Visconde de Barbacena, disposto a denunciar os colegas em troca de recompensas.

Diante das denúncias, o governador mandou prender todos os envolvidos e iniciou uma investigação (devassa). Todos os presos haviam combinado em “não abrir o bico”. Procuraram não deixar provas que pudessem incrimina-los.

Foi assim até que o Tiradentes, ainda preso no Rio de Janeiro, decidiu assumir toda a culpa dois anos depois. A Rainha Dona Maria I (a Louca) não pensou duas vezes, mandou enforcar e esquartejar o Alferes, banindo os demais integrantes para o exílio na África.

 

Na Bahia de Todos os Santos, nem todos são Santos

Nove anos depois da Inconfidência Mineira, a Bahia também foi palco de uma revolta separatista. No entanto, neste caso, a conspiração ganhou um elemento novo: pregava-se a abolição da escravidão. E qual a explicação? Bem, sem a revolta mineira era considerada elitista, a baiana teve caráter popular, incluindo negros escravos e alforriados.

A maioria dos historiadores afirma que as ideias originais partiram de indivíduos da alta sociedade baiana, a exemplo dos maçons Cipriano Barata e Agostinho Gomes. No entanto, quando nas reuniões conspiratórias esses membros da elite perceberam a tendência radical do movimento, procuraram se afastar. Não tinha problema, o movimento teria continuidade sob a liderança de alfaiates e soldados.

Na época da Conjuração dos Alfaiates, as notícias que chegavam da Europa eram as mais radicais possíveis: Jacobinos e Sans Culotes, membros das camadas populares, haviam assumido o comando da Revolução.

Uma República fora proclamada em Paris e o casal real condenados à guilhotina depois que tentaram fugir para a Áustria. Robespierre se tornara o grande comandante da Revolução Francesa, libertando os escravos nas colônias francesas.

Diante de tais notícias, não era de se esperar algo diferente por aqui, nas terras do Senhor do Bomfim. Entretanto, depois que os conspiradores publicaram “os avisos” ao povo baiano de algo de bom estava para acontecer, o governador Fernando de Portugal e Castro mandou investigar e chegou até os soldados Lucas Dantas e Luiz Gonzaga.

Era o fim de um sonho, o sonho de uma sociedade mais justa, sem escravos e com direitos iguais. Depois dos soldados, os alfaiates também foram presos. Bom o final dessa história vocês podem imaginar: os dois soldados e dos dois alfaiates foram enforcados e esquartejados no dia 8 de novembro de 1799.

 

Sim, nós tivemos revoluções!!

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