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Fala, galera linda! Meu povo lindo e sensual! Falando em povo… Hoje falaremos de Arte Popular, ou seja, a arte feita pelo povo!

E quando falamos nesse assunto, não podemos desconsiderar a seguinte discussão: existe uma arte “melhor”? Uma arte “mais elaborada” do que outras? Tal questionamento tem a ver com a ideia de que certas produções, por terem sido feitas por artistas de renome e com técnicas apuradas, elevam o status da obra. Ela tende a valer mais e o artista ser reconhecido perante a sociedade. Ou você nunca ouviu que a “Mona Lisa” é uma verdadeira obra prima? Enquanto o trabalho daquele artesão de sua cidade é mero artesanato. Será que existe maior e melhor arte? Vamos destrinchar tal polêmica nas próximas linhas…

No embate em destaque temos a sorridente “Mona Lisa”, de Leonardo da Vinci, contra a boquiaberta “carranca”, de autor desconhecido. Qual é arte? Quem é mais bonita? Mais interessante/ mais elaborada? Hein? Hein? Hein? Diga, diga, diga… Acredito que seja irresistível olhar para a “Mona Lisa” e não optar por suas formas atraentes, seu olhar, seu sorriso, é tudo que precisamos pra poder viver!

 

Depois desse momento “Raça Megra”, temos a certeza de que a serelepe obra de Da Vinci foi a que mais exigiu no que diz respeito à técnica e à forma como um todo. Leonardo da Vinci, quando concebeu a “Mona Lisa”, foi inspirado divinamente. As nuvens dos céus se abriram e Deus iluminou a mente do artista (efeito sonoro: óoooooooooooooo). Os anjos desceram para tocar suas trombetas, vieram os seres das águas, sereias, iaras, netuno, urano júpiter, plutão… Veio a cambada toda! Foi um momento único e inimaginável para a história da humanidade! Pausa! Para tudoooooooooooooooooooooo!!! Meu deus do céu! Quanta mirabolância! Menos, muito menos…

O exagero acima é para você entender que em alguns momentos a arte ficou refém desse tipo de história e acabou por colocar outras configurações artísticas como inferiores, quando comparadas ao padrão clássico de representação.

Quando olhamos para a “carranca”, temos a tendência a achar feia, grotesca e bizarra. A técnica não deve ter sido essas coisas todas. E o artista, se é que podemos chamar assim, não deve ser nenhum expoente das artes. Outro aspecto é que veremos várias outras carrancas sendo expostas em feiras populares, enquanto a “Mona Lisa” só tem uma e está num dos museus mais visitados e chiques do mundo, o Louvre, em Paris. Falando em riqueza, caberia ainda discutirmos os valores monetários de cada obra em destaque. Seria então uma surra! A “Mona Lisa” já deve estar ganhando de uns sete a zero! E você? O que pensa a respeito? Concorda? Discorda? Antes de formar uma opinião mais concreta, vamos ver alguns aspectos da arte popular.

No Brasil, o termo “Arte Popular” tem sido atribuído à produção artística de pessoas que nunca frequentaram escolas especializadas, mas que produzem obras (escultura, gravura, pintura, literatura) com relevante valor estético e artístico. Podemos dizer que “Arte Popular” é, independente de qualquer coisa, a arte de um povo, configura-se como forma de expressividade de artistas do povo. É constituída por artefatos, peças artísticas e escritos produzidos por pessoas as quais não se atribui nenhum conhecimento acadêmico ou letrado.

Artistas populares nunca frequentaram nenhuma faculdade de Arte ou instituição que pudesse lhes certificar ou especializar. São simples representantes do povo que possuem uma habilidade ou dom e o desenvolveram. Esta arte se traduz em uma rica diversidade de valorosas e belas obras, oriundas das mãos de gente simplória que não teve nenhum ensinamento ou orientação para executarem o trabalho artístico.

Mas quando olhamos atentamente para tais obras, sem atentar para padrões técnicos e seus valores, vemos a riqueza dessa produção. É um verdadeiro registro de nossa cultura e a sua diversidade. Reconhecemos elementos de nossa história e povo, sem contar a semelhança com acontecimentos cotidianos. Vemos beleza! Alegria de formas e cores! A técnica pouco importa, afinal de contas, enxergamos um pouquinho de nós em cada obra. É a mais bela manifestação da arte!

 

 

Arte popular: tipos de produção

Diversos tipos de produção são feitos por estes artesãos. Entre estes estão a pintura, as esculturas, literatura, etc. Eles não realizam suas obras na condição de profissionais. Elas são criadas nos dias de folga, nos intervalos dos trabalhos e até mesmo nos momentos do lazer. Eles são dedicados e amam sua arte. Porém, nem sempre esta constitui seu ganha-pão, pois os trabalhos que conseguem vender para feiras, pequenas lojas e raros compradores não é suficiente para seu sustento.

Temos uma exemplo produção artística variada, com obras que retratam ex-votos, figuras imaginárias, religiosas, esculturas em cerâmica, carrancas e utensílios domésticos – como panelas e potes de barro – que representam crenças, lendas, costumes, acontecimentos corriqueiros e dificuldades do dia a dia.

“Sem título (ex-votos)” | esculturas em madeira

Uma produção bastante rica e intrigante é o ex-voto, que vem do latim “voto suscepto” (“pela promessa realizada”), referindo-se a pinturas, esculturas e outros objetos que pessoas devotas oferecem às suas divindades, em templos e locais de peregrinação, como forma de agradecimento à cura de uma doença – por isso, por exemplo, as esculturas de madeira, na imagem acima, que remetem a partes do corpo afetadas por enfermidades – ou a outras graças alcançadas.

Você consegue perceber a riqueza dessas estruturas? Convenhamos, são tão interessantes quanto obras de mestres consagrados. Deixa de burocracia, vá?!

Continuando…

Artistas populares brasileiros

Para criar suas obras, os artistas populares baseiam-se nos hábitos, mitos da região, folclore e na cultura do lugar. Transferem para suas obras todos os seus sentimentos, valores e até mesmo as dificuldades. Talvez seja este fato que faz com que sejam tão significativas e de considerada importância estética.

No Brasil, muitos destes talentos vindos do povo tornaram-se famosos representantes da Arte. Um deles é Antônio Francisco Lisboa, conhecido pelo codinome “Aleijadinho”. Ele era um típico representante do povo. Sua obra é de grande beleza e reconhecida excelência e passeia do barroco ao popular.

Podemos citar também o ceramista popular pernambucano Mestre Vitalino (1909-1963). É considerado um dos maiores artistas populares do nordeste e seu estilo é copiado por muitos artesãos. Vitalino pereira dos santos nascido em Caruaru, filho de um lavrador e de uma artesã de panelas de barro. Aprende o ofício com a mãe e, a partir dos 6 anos, executa, com as sobras das panelas, pequenos animais para vender na feira. Em 1930 começa a modelar grupos humanos e, a partir de 1935, grandes conjuntos que o tornam conhecido.

Não poderia deixar de “puxar sardinha” para o estado de Sergipe, já que temos um dos grandes nomes da arte popular da atualidade. Estamos falando de Cícero Alves dos santos, o Véio, que utiliza a madeira para representar o seu olhar inusitado sobre o homem e a vida no sertão nordestino. Nascido no município de Nossa Senhora da Glória, em 12 de maio de 1947, o artista recebeu o apelido de Véio, por que desde criança gostava de ficar junto aos mais velhos escutando suas conversas. Hoje, Véio é um nome dos mais destacados na arte popular brasileira, tendo participado de importantes exposições no Brasil e no exterior. Suas obras ainda fazem partem do acervo de muitas galerias dedicadas à arte popular, assim como de muitas coleções particulares.

   

A arte popular, por ser portadora de nossas tradições culturais, se constituiu em um dos principais traços da identidade nacional. Porém, se por um lado as tradições são conservadas nas peças utilitárias e figurativas que a compõem, por outro lado, também há inovação com a assimilação original de novos acontecimentos e materiais que surgem com o tempo e são reutilizados para afirmarem uma de suas principais características: a sintonia entre a arte e a vida cotidiana.

Fizemos uma breve reflexão sobre uma temática tão instigante e acho que podemos retornar num próximo momento para refletirmos um pouco mais. O que acha? Aguardo você na próxima oportunidade!

E aí? Gostou? Mudou um pouco do seu olhar sobre a arte popular? Espero que sim… Até mais!

Autor: Felipe Godoy; professor, artista e apaixonado pela Arte Popular.

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