E aí?! Tudo em cima? 🙌🏻

Você já parou para pensar em como viviam os primeiros brasileiros? Como será que passavam os dias? O que vestiam, o que comiam, como eram suas casas?

Pois é! Lendo e pesquisando livros como “Histórias da Gente Brasileira”, da historiadora Mary Del Priore, eu consigo viajar no tempo e visitar o Brasil Colonial.

Sabe aquela sensação de ler um romance e sentir que está dentro daquela história, amando ou odiando algum personagem? Sinto a mesma coisa quando mergulho nas leituras sobre o povo brasileiro naqueles tempos tão remotos dos séculos XVI, XVII e XVIII.

Agora vem o convite: quer viajar comigo pela História do Brasil? 😊

 

torcedores do brasol

 

Calma! Não podemos começar a contar um pouco dessas curiosidades sem nos remeter aos primeiros encontros entre portugueses e indígenas, né? Imagina o tamanho do assombro de ambos os povos! O escrivão Pero Vaz de Caminha ficou impressionado com a feição dos nativos, que andavam nus e pareciam tão saudáveis. Os nativos também não deixaram de se impressionar com aqueles homens barbudos e metidos em roupas coloridas e quentes. Consegue imaginar o choque de culturas?

Levados ao navio em que se encontrava o Capitão Pedro Álvares Cabral, os primeiros índios ficaram assustados ao ver galinhas e cuspiram fora o vinho que ganharam para beber. Pensa que os europeus não ficaram assustados também? Pois ficaram! Estranharam, e muito, as iguarias da culinária indígena.

No entanto, aos poucos, as diferenças e os estranhamentos foram ficando menores. A nudez dos indígenas e a presença cada dia mais constante daqueles homens barbudos em terras tropicais tornaram-se parte da rotina dessa terra chamada Brasil.

 

Formação étnica do Brasil

 

Com a determinação da Coroa Portuguesa de efetivar a colonização através das Capitanias Hereditárias, mais um elemento foi acrescentado para formar o nosso maravilhoso povo brasileiro, o africano. Arrancado de sua terra natal pela violência da escravidão e pela ganância do espírito mercantilista (isso é bastante triste, né?), o africano se somou aos indígenas e aos europeus colonizadores para formar o povo brasileiro.

 

somos um

 

A vivência no Brasil da época

 

Viver no Brasil daqueles tempos não era nada fácil. Sei que alguém pode pensar: “Mas, Professor, para os índios não era mais fácil?” Fácil? Nem um pouco… Imagine você ser o senhor das terras, parte daquela natureza tropical tão rica e vasta, e, de repente, chega um estranho que começa a derrubar a mata e fazer queimadas para depois plantar cana-de-açúcar. Cada árvore derrubada matava um pedacinho daqueles índios ☹️.

Agora se coloque no lugar do africano escravizado, humilhado, separado de sua família e sendo obrigado a trabalhar de sol a sol sem ter qualquer esperança de dias melhores, cada vez mais ciente de que nunca mais retornaria para a sua pátria 😢. Percebe como era difícil? Diante disso, devemos concluir que a vida dos brancos europeus foi maravilhosa? A resposta é não. Claro que, se comparado à vida de índios e africanos, ser um europeu colonizador era menos difícil. Porém, não foi nada fácil se adaptar ao calor dos trópicos, com seus insetos vorazes e animais selvagens.

 

escravidao no brasil

 

O desejo de ficar rico e voltar para a metrópole fazia muita gente suportar todo o sacrifício. Não devemos esquecer que muitos dos europeus que aqui aportaram eram homens e mulheres pobres, centenas de órfãos, marginalizados, malfeitores, prostitutas. Por isso, nem todos os portugueses que aqui chegavam seriam senhores de engenho. O empreendimento exigia ter muito dinheiro para investir. E como viveriam tais pessoas?

 

Os malfeitores teriam a chance de se recuperar, arranjando algum emprego nas fazendas ou nas vilas, caso tivessem alguma habilidade artesanal. As “mulheres de vida fácil” (como eram chamadas as prostitutas) teriam que arrumar um casamento, pois a antiga profissão não era permitida para as bandas de cá. As meninas órfãs deveriam ter destino semelhante, geralmente se casando com homens muito mais velhos. Já os moços órfãos se tornariam empregados, capatazes ou prestariam serviços aos padres.

Viu como a situação não era fácil para ninguém?!

 

Precariedade de instalações

 

O dia a dia dessa gente brasileira era de muito trabalho e de privações. Relatos de alguns viajantes nos dão uma boa noção da vida dos primeiros brasileiros. As casas daquela época eram imundas, pois a higiene era algo que não preocupava ninguém. Quase sempre feitas de madeira e barro batido, as residências tinham pequenas portas e quase nenhuma janela, o que deixava o ambiente interno escuro e sem ventilação. As cozinhas, mesmo aquelas das casas ricas, eram bem sebosas, uma mistura de fumaça, gorduras e penas espalhadas por todo o chão. E as ruas? Uma mistura de lama, urina e fezes!  Que cheiro ruim, pense. 😣

 

credo que loucura

 

As refeições eram servidas em rústicos pratos de barro ou em gamelas de madeira. Quase não se usavam talheres, comia-se amassando o alimento com as pontas dos dedos e socando goela adentro, depois de mergulhar o bolo alimentar em algum caldo ou molho. De norte a sul, a farinha de mandioca era o item mais comum nas mesas, quero dizer, nas esteiras dos brasileiros. Isso mesmo, a maioria dos brasileiros comia sentada no chão. As mesas eram raras, como também o hábito de servir as refeições sobre elas, coisa que se tornaria comum somente no final do século XVIII.

Na verdade, as residências quase não possuíam móveis. Nos quartos, as camas também eram raras. Dormia-se no chão sobre esteiras ou uma imitação de cama bem rústica chamada de “catre”. Cadeiras também surgiram tardiamente; de início, sentava-se em pequenos bancos, os tamboretes. Dormir em rede, típico costume indígena, tornou-se comum primeiro entre os bandeirantes, pois viviam aprisionando nativos e assimilaram esse hábito. A rede era muito usada também para transportar doentes e velhos enfermos. Aliás, as enfermidades eram muitas e de variadas origens.

 

Transmissão de doenças e costumes atípicos

 

Desde as doenças tropicais, provocadas por insetos, até aquelas trazidas pelos europeus, responsáveis por dizimar milhares de índios e negros. Uma das mais comuns eram os desarranjos intestinais, muitas vezes atribuídos ao calor. Olha como a Medicina não era tão avançada! Cruzar os mares para morrer de diarreia… Que falta fazia um simples probiótico!

As infecções intestinais eram provocadas principalmente pela proliferação de fungos e bactérias presentes nos alimentos malconservados ou pela falta de uma limpeza corporal (olha aí a consequência da falta de higiene). Com exceção dos índios, o hábito do banho era uma coisa rara. Será que achavam que a casquinha do lodo protegia o corpo?

Por incrível que pareça, os pés eram a parte do corpo mais limpa. Havia a tradição de lavar os pés antes de dormir. O rosto, as mãos e os braços recebiam uma limpeza bem superficial com um pano umedecido. Você consegue imaginar o “cheirinho” dessas pessoas?  Então, pasme! O que para nós, nos tempos de hoje, causaria náusea, naquela época provocava até os desejos sexuais 😮. Isso mesmo, o cheiro almiscarado das axilas e “daquelas partes” aguçava os instintos dos amores e romances proibidos (imagina! 😣). Sei que essa informação deve ter provocado alguns risos e até mesmo aguçado sua curiosidade sobre a sociedade colonial e seus “causos”.

Gostou? Então aguarde os próximos textos sobre a sociedade do Brasil Colonial.

 

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