assinaturaOlá, vestibulando (a). Tudo bem com você? Preparado (a) para mais um blog de Sociologia? O blog de hoje aborda um aspecto muito importante dessa ciência que estuda a sociedade, que são os movimentos sociais, dentre eles o feminismo. Interessante, né? Então pegue uma bebida quente e venha acompanhar essa leitura sobre a história e a importância do movimento feminista.

Quando discutimos sobre a temática dos movimentos sociais, devemos ter em mente que eles representam – com enorme protagonismo – um grande mecanismo de luta por uma sociedade mais democrática e que permite voz a diversos setores da sociedade. Podemos exemplificá-los nas mais variadas áreas, como no meio ambiente, na causa animal, no mundo do trabalho e em questões identitárias. Mas hoje gostaria de dedicar esse texto ao movimento feminista.

Segundo [Frans] Moonen, “na Sociologia o termo minoria normalmente é um conceito puramente quantitativo que se refere a um subgrupo de pessoas que ocupa menos da metade da população total e que, dentro da sociedade, ocupa uma posição privilegiada, neutra ou marginal”. No aspecto antropológico, por sua vez, a ênfase é dada ao conteúdo qualitativo, referindo-se a subgrupos marginalizados, ou seja, minimizados socialmente no contexto nacional, podendo, inclusive, ser uma maioria em termos quantitativos.

Moonen observa ainda que uma das primeiras definições nesse sentido foi a de L. Wirth, sendo minoria “um grupo de pessoas que, por causa de suas características físicas ou culturais, são isoladas das outras na sociedade em que vivem, por um tratamento diferencial e desigual, e que por isso se consideram objetos de discriminação coletiva”. 

Fonte: MONTEIRO, Adriana Carneiro. Minorias étnicas, linguísticas e religiosas

Um movimento social pode ser definido como um grupo organizado que tem por finalidade a luta por alguma causa social. Muitas vezes esses movimentos representam grupos excluídos, chamados por alguns intelectuais como minorias que diariamente batalham para ser vistos e ouvidos em meio a uma sociedade que apesar de garantir no corpo da lei, como nos lembra o jornalista Gilberto Dimenstein na obra cidadão de Papel. Quando aplicamos essa perspectiva ao movimento feminista percebemos uma realidade que no decorrer dos séculos luta pelo direito das mulheres.

Em diversos lugares do mundo o direito de igualdade foi conquistado pelas mulheres com muito esforço ao enfrentar um modelo de sociedade conhecido como patriarcal. Nele, as mulheres eram consideradas propriedade de seus pais, maridos ou quem quer que fosse o chefe da família. Faltavam-lhes diversos direitos como à vida política, educação, divórcio, livre acesso ao mercado de trabalho.

A historiografia nos mostra que já entre os séculos XV e XVIII podemos perceber diversas produções que denunciavam a condição de opressão dessas mulheres. Agora devemos fazer uma ressalva. Apesar da pauta estar presente a tanto tempo, ainda não podemos denominar essas mulheres de feministas.

O início do movimento está ligado ao contexto da Revolução Francesa (1789) e do Iluminismo, no qual diversas pessoas – homens e mulheres – lutavam por princípio, como o de igualdade civil que inexistia em uma sociedade estamental, uma das marcas do Antigo Regime. Enquanto os homens conquistavam esses direitos as mulheres – que também participaram do movimento revolucionário – continuavam excluídas do processo e invisíveis no campo jurídico. Um bom exemplo é o de Olímpia de Gouges (1748-1793), símbolo do movimento feminista, que proclamou que as mulheres eram detentoras de direitos naturais idêntico ao dos homens, e por isso deveriam participar da construção desses novos direitos.

            Esse período é chamado de primeira onda feminista, marco inicial do movimento. Esse fenômeno se estende até as primeiras décadas do século XX que tinha como principal pauta a luta pelo direito político de votar e ser votado com as chamadas sufragistas. O movimento das sufragistas começou na Inglaterra, que teve como grande expoente Emmeline Pankhurt (1858-1928), e logo se espalhou pelo mundo. Se tomarmos como exemplo o Brasil, as mulheres conquistam o direito ao voto em 24 de fevereiro de 1932 a partir do Código Eleitoral.

            A segunda onda feminista ocorreu durante a segunda metade do século XX e teve como um dos seus principais eixos a sexualidade feminina. Temas como o prazer, a liberdade sexual, a saúde da mulher e o combate ao estupro passaram a ganhar cada vez mais destaque. 

É importante compreender que esse momento coincide com os agitados anos da década de 1960, que além da luta de diversos movimentos sociais como o hippie, negro, foi marcado pelo que chamamos de revolução sexual, que serviu para ressignificar o conceito de sexo, que antes era visto apenas como meio reprodutivo e passou a ser percebido como um meio para o prazer. Um dos grandes símbolos desse processo foi a invenção da pílula anticoncepcional.

Devido as transformações ocorridas na sociedade, grandes temas relacionados à vida doméstica passaram a integrar esse debate como, por exemplo, a questão da violência e do trabalho doméstico. Uma das maiores representantes desse período foi a filósofa existencialista Simone de Beauvoir (1908-1986) que colocou em xeque as definições biológicas do que definiam a ideia de mulher e trouxe o debate para o campo cultural, percebendo-os como uma construção social. Imagino que você já deve ter ouvido a famosa frase: “a mulher não nasce mulher, torna-se mulher” presenta na sua obra “O Segundo Sexo”.

            Outra personagem fundamental para a compreensão da segunda onda do movimento feminista foi Betty Friedan (1921-2006) que entre outros textos lançou “A mística feminina” de 1963, que discutia sobre a insatisfação das mulheres brancas norte-americanas com as suas respectivas expectativas sociais. Esse fenômeno desencadeou, entre outros fatores, a famosa “queima de sutiãs” que passou a representar um grande marco para o movimento.

            A terceira onda feminista marcou a década de 1990 que ampliou o leque de temas debatidos até então, entre eles se destaca a questão da interseccionalidade do movimento que defende a necessidade de considerar outros padrões de opressão. Nesse sentido, significa dizer que não bastava olhar apenas para a “mulher”, mas também as suas particularidades como a questão racial, a classe, orientação sexual por exemplo.

Isso acabou por agregar demandas que antes não recebiam a devida atenção. Uma das maiores teóricas que representa esse momento é a filósofa Judith Butler (1956) que passou a problematizar o conceito de gênero, ampliando-o como algo não binário e fluido. Esse fenômeno passou a ser conhecido como teoria Queer.

            A literatura sobre o tema já fala em uma quarta onda feminista a partir da década de 2010 e que recebeu uma grande demanda a partir das redes sociais, denunciando com muito mais força questões como o assédio e a violência contra a mulher. Podemos destacar como um símbolo dessa fase a ativista nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie (1977) que passou a discutir estereótipos sobre o feminismo e a necessidade de luta que não se restringe apenas às mulheres, mas sim a toda a sociedade.

Eu sei que a leitura estava muito boa, mas, infelizmente, chegamos ao fim. No entanto, não fique triste, você pode assistir à videoaula sobre esse assunto na plataforma Explicaê. Como??? É só se cadastrar para experimentar grátis por sete dias. Além disso, se você gostar tanto a ponto de ficar com a gente, receberá 10% o cupom VIMDOBLOG em qualquer um dos nossos planos.

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