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— é o diabo!...praguejava entre dentes o brutalhão, enquanto atravessava o...

(ENEM 2012 2º APLICAÇÃO) — É o diabo!… praguejava entre dentes o brutalhão, enquanto atravessava o corredor ao lado do Conselheiro, enfiando às pressas o seu inseparável sobretudo de casimira alvadia. — É o diabo! Esta menina já devia ter casado!

— Disso sei eu… balbuciou o outro. — E não é por falta de esforços de minha parte; creia!

— Diabo! Faz lástima que um organismo tão rico e tão bom para procriar, se sacrifique desse modo! Enfim — ainda não é tarde; mas, se ela não se casar quanto antes — hum… hum!… Não respondo pelo resto!

— Então o Doutor acha que…?

Lobão inflamou-se: Oh! o Conselheiro não podia imaginar o que eram aqueles temperamentozinhos impressionáveis!… eram terríveis, eram violentos, quando alguém tentava contrariá-los! Não pediam — exigiam — reclamavam!

AZEVEDO, A. O homem. Belo Horizonte: UFMG, 2003 (fragmento).

O romance O homem, de Aluísio Azevedo, insere-se no contexto do Naturalismo, marcado pela visão do cientificismo. No fragmento, essa concepção aplicada à mulher define-se por uma

  • incapacidade de resistir às pressões socialmente impostas, representadas pelo pai e pelo médico.

  • caracterização da personagem feminina como um estereótipo da mulher sensual e misteriosa.

  • conivência com relação à rejeição feminina de assumir um casamento arranjado pelo pai.

  • submissão da personagem feminina a um processo que a infantiliza e limita intelectualmente.

  • convicção de que a mulher é um organismo frágil e condicionado por seu ciclo reprodutivo.

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