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Colonização da América

Lembro, a propósito, uma cerimônia religiosa a que assisti na...

(ENEM 2019 2º APLICAÇÃO) Lembro, a propósito, uma cerimônia religiosa a que assisti na noite de Santo Antônio de 1975 quando presente a uma festa em honra do padroeiro. Ia a coisa assim bonita e simples, até que, recitadas as cinco dezenas de ave-marias e os seus padre-nossos, chegou a hora do remate com o canto da salve-rainha. O capelão começou a entoar nesse instante hino à Virgem, em latim “Salve Regina, matermisericordiae”, e, o que eu estranhei, foi seguido de pronto sem qualquer hesitação pelos presentes. Depois veio o espantoso para mim: a reza, também entoada, de toda a extensa ladainha de Nossa Senhora igualmente em latim. Eu olhava e não acabava de crer: aqueles caboclos que eu via mourejando de serventes nas obras do bairro estavam agora ali acaipirando lindamente a poesia medieval do responso.

BOSI, A. Dialética da colonização. São Paulo: Cia. das Letras, 1992.

O   estranhamento   do   autor   diante   da   cerimônia relaciona-se ao encontro de temporalidades que

  • revelam permanências culturais

  • valorizam conhecimentos escolares

  • elitizam manifestações populares

  • evidenciam práticas ecumênicas

  • questionam ritos católicos

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