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Inferência, Dedução ou Conclusão

Logo todos na cidade souberam: halim se embeiçara por...

(ENEM 2013 2ª APLICAÇÃO) Logo todos na cidade souberam: Halim se embeiçara por Zana. As cristãs maronitas de Manaus, velhas e moças, não aceitavam a ideia de ver Zana casar-se com um muçulmano. Ficavam de vigília na calçada do Biblos, encomendavam novenas para que ela não se casasse com Halim. Diziam a Deus e ao mundo fuxicos assim: que ele era um mascate, um teque-teque qualquer, um rude, um maometano das montanhas do sul do Líbano que se vestia como um pé rapado e matraqueava nas ruas e praças de Manaus. Galib reagiu, enxotou as beatas: que deixassem sua filha em paz, aquela ladainha prejudicava o movimento do Biblos. Zana se recolheu ao quarto. Os clientes queriam vê-la, e o assunto do almoço era só este: a reclusão da moça, o amor louco do “maometano”.

HATOUM, M. Dois irmãos. São Paulo: Cia. das Letras, 2006 (fragmento).

 

Dois irmãos narra a história da família que Halim e Zana formaram na segunda metade do século XX. Considerando o perfil sociocultural das personagens e os valores sociais da época, a oposição ao casamento dos dois evidencia:

  • a divisão das famílias em castas formadas pela origem geográfica.

  • a importância atribuída à ocupação exercida por um futuro chefe de família.

  • as fortes barreiras erguidas pelas diferenças de nível financeiro.

  • o impacto dos preceitos religiosos no campo das escolhas afetivas.

  • a intolerância com atos litúrgicos, aqui representados pelas novenas e ladainhas.

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