Conheça os brasileiros que lutaram pelo fim da escravidão

Vamos falar sobre a Abolição da Escravatura que completa seus 131 anos em 2019?

 

Quem está estudando para o Enem já está familiarizado com o esse grande movimento que deu liberdade para os escravos no nosso país, mas a tendência é acreditar que tudo aconteceu do dia para a noite, com uma simples assinatura que oficializou o ato.

 

A escravidão durou três séculos, de 1550 até 1888 (sendo que em 1884, quatro anos antes do Brasil, os Estados do Ceará e do Amazonas acabaram com a escravidão), que totalizou em quase cinco milhões de africanos traficados para o Brasil.

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Conheça alguns brasileiros que lutaram pelo fim da escravidão:

 

  • Luís Gama, o ex-escravo que se tornou advogado

 

Luiza Gama escravidao

Luiz Gonzaga Pinto da Gama nasceu em 21 de julho de 1830.

 

Era filho de um português e de Luiza Mahin, negra acusada de se envolver com a Revolta dos Malês, na Bahia – a primeira grande rebelião urbana de escravos da história do Brasil.

 

Aos 10 anos, tornou-se cativo, vendido pelo próprio pai, virando escravo doméstico em São Paulo. Aos 18 anos, sabendo ler e escrever conseguiu provas da ilegalidade de sua condição, pois era filho de uma mulher livre, tendo liberdade em 1848.

 

Em 1856 foi nomeado escrevente da Secretaria de Polícia e neste mesmo período, Luiz teve acesso à biblioteca do delegado. Então acabou por se tornar um grande advogado.

 

Foi um dos abolicionistas mais atuantes de São Paulo. Com seu trabalho nos tribunais, conseguiu a libertação de centenas de negros mantidos injustamente em cativeiro ou acusados de crimes contra os senhores. Especializou-se nessa área. Após longo período de doença, Luiz Gama morreu no dia 24 de agosto de 1882, em São Paulo.

 

  • Maria Tomásia Figueira Lima

 

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Maria Tomásia Figueira Lima nasceu 6 de dezembro de 1826. Aos 15 anos casou-se com Rufino Furtado de Mendonça, com quem teve oito filhos.

 

Ficou viúva, e em 1859 se uniu ao abolicionista Francisco de Paula de Oliveira Lima. Em 1877, se mudaram para Fortaleza onde conviveram com todos os lideres abolicionistas do Ceará.

 

Em 1882, participou da fundação da Sociedade Cearense Libertadora, cujo objetivo era lutar pela abolição da escravatura, e a presidiu por determinado período.

 

Sua atuação junto ao movimento em prol da liberdade dos escravos tornou-a reconhecidamente a alma feminina da campanha pela abolição. Em 06 de janeiro de 1883 aconteceu a cerimônia solene de instalação da Sociedade Cearense Libertadora onde conseguiram conquistar mais 72 cartas de alforria.

 

Embora não tivesse muito estudo, era uma mulher enérgica, hábil articuladora política e excelente oradora. Existem divergências quanto a data de sua morte, alguns afirmam que teria sido em 1902, na cidade de Recife, porém, o periódico “A Capital”, editado em Sobral, registra seu falecimento em 22 de julho de 1903 no Rio de Janeiro.

 

  • André Rebouças

 

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André Pinto Rebouças nasceu no dia 3 de janeiro de 1838. Apesar do preconceito racial, seu pai, Antônio Pereira Rebouças, um mulato, foi um homem importante e de prestígio na época.

 

André bacharelou-se em Ciências Físicas e Matemáticas, em abril de 1859, na Escola de Aplicação da Praia Vermelha, obtendo o grau de engenheiro militar, em dezembro de 1860.

 

Na década de 1880, se engajou na campanha abolicionista. Rebouças participou da criação de algumas sociedades anti-escravagistas, como a Sociedade Brasileira contra a Escravidão, a Sociedade Abolicionista e a Sociedade Central de Imigração.

 

Defendia a emancipação e regeneração do escravo pela aquisição da propriedade da terra. Para ele a chave para a transformação da agricultura brasileira era a mudança dos sistemas de posse da terra. Morreu no dia 9 de maio de 1898.

 

No dia 18 de junho seus restos mortais vindos da Ilha da Madeira, foram trasladados solenemente, por mar, das Docas Nacionais até a Praia de Botafogo, e dali a pé, até o Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro, onde foram sepultados.

 

  • Adelina

 

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Adelina nasceu em São Luís, por volta do século XIX, e era escravizada, assim como sua mãe, que era conhecida como “Boca da Noite”. Seu pai era um rico senhor e sendo filha dele recebeu a promessa de ser libertada ao fazer 17 anos, promessa que não foi cumprida e Adelina continuou sendo escrava de seu próprio pai.

 

Apesar disso, ela sabia ler e escrever, o que era incomum. O pai dela empobreceu e passou a fabricar charutos e a partir daí Adelina passou a ser a encarregada das vendas. Os estudantes do Liceu eram seus clientes e, por isso, ela sempre passava no Largo do Carmo e assistia a comícios abolicionistas promovidos pelos estudantes.

 

A partir daí, ela passou a ser uma frequentadora assídua de manifestações em prol da abolição da escravatura. O conhecimento de Adelina sobre a cidade, sua facilidade de transitar por ela e sua rede de relações conquistada através da venda de charutos foi um trunfo para a luta abolicionista.

 

Adelina é um nome pouco conhecido, mas ela não deixa de ser notável por isso. Ela é mais uma mulher negra que lutou contra a escravidão e que teve seu nome invisibilizado na história por causa do machismo e do racismo.

 

  • Francisco José do Nascimento

 

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Francisco José do Nascimento nasceu em 15 de Abril de 1839, um homem pardo conhecido como Dragão do Mar, foi membro do Movimento Abolicionista Cearense, um dos principais da província, a primeira do Brasil a abolir a escravidão.

 

Em 1881, o Dragão do Mar comandou, em Fortaleza, uma greve de jangadeiros que transportavam os negros e negras escravizados para navios que iriam para outros Estados do Nordeste e para o Sul do Brasil. O movimento conseguiu paralisar o tráfico negreiro por alguns dias.

 

Um morto e mais de 90 feridos cobram justiça em frente ao Palácio da Luz. O governador manda dispensar os rebeldes, mas a imponência do Dragão do Mar é mais convincente, marcando seu último ato de bravura, antes de falecer, cinco anos depois, em 6 de março de 1914

 

 

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  • Maria Firmina dos Reis

 

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Maria Firmina dos Reis nasceu no dia 11 de março de 1822. Ela, além de lutar pelo fim da escravidão, foi uma escritora brasileira, considerada a primeira romancista brasileira.

 

Afrodescendente nascida fora do casamento e vivendo num contexto de extrema segregação racial e social, aos cinco anos ficou órfã. Formou-se professora e publicou, em 1859, o que é considerado por alguns historiadores o primeiro romance abolicionista do Brasil, Úrsula.

 

Teve participação relevante como cidadã e intelectual ao longo dos noventa e cinco anos de uma vida dedicada a ler, escrever, pesquisar e ensinar. Atuou como folclorista, na recolha e preservação de textos da cultura e da literatura oral e também como compositora, sendo responsável, inclusive, pela composição de um hino em louvor à abolição da escravatura. Maria Firmina morreu aos 92 anos, na casa de uma amiga que havia sido escrava.

 

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